(...)
De repente, aconteceu o inesperado. Entrou pela sala um som violento de vidros a partirem-se. Estilhaços transparentes voaram por cima dos nossos cabelos ruivos, uma vassoura irrompeu estrondosamente para dentro do círculo e, em cima da vassoura, a feiticeira escritora quase sem vida. Tentámos reanimá-la de imediato com toda a nossa energia, mas as nossas tentativas foram em vão. A nossa irmã distraída estava quase sem pinta de sangue. No pescoço, as marcas conhecidas que nos turvaram o olhar. A teoria da feiticeira dos olhos cinzentos, acabara de cair por terra, mesmo antes de a pronunciar.
Apertámos o círculo à volta da irmã desfalecida. Tirei-lhe o manto que a envolvia. Estava despida. A sua pele branca reflectia uma aura de beleza. Os longos cabelos ondulados cobriam-lhe uma parte dos seios. Algo no corpo dela nos transmitia a mensagem que tinha sido amada, antes de ser cravejada com os dentes no belo pescoço. Líamos-lhe no rosto uma tranquilidade que habitualmente, só era possível deduzir dos seus poemas, quando ela os declamava em voz alta, nas noites de luar em que nos encontrávamos todas na floresta discreta, escondidas pelas árvores mágicas e iluminadas pelas palavras que brotavam da sua boca.
Aconcheguei-a e cobri-a de novo com o seu negro manto de morte e reparei nas suas mãos fechadas. Numa das mãos trazia as ervas que nos permitiriam voltar. Na outra mão, um dos seus poemas.


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